O verdadeiro escândalo, Artigo publicado no Jornal do Commercio, no dia 15/06/2007
Cristovam Buarque *
Há meses, o Brasil se debate em meio a escândalos de corrupção. Nos jornais, as páginas de política parecem com as de polícia. No meio do turbilhão de denúncias, descobre-se que, em pleno século XXI, depois de quatro anos de um governo eleito pela esquerda, aumentou o número de crianças que trabalham em vez de estudar. Mas esse escândalo não chama atenção como deveria...
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
domingo, 17 de junho de 2007
UNIVERSIDADE TRANSGÊNICA: a crise é essa
Jornal da ADUFRJ
Entrevista: Luiz Eduardo R. de Carvalho
Conflitos sobre trangênicos reflete crise da Universidade
Professor do Laboratório de Consumo e Saúde (LabConsS) da Faculdade de Farmácia da UFRJ,
Luiz Eduardo R. de Carvalho aborda a questão dos transgênicos
para esta edição do Jornal da Adufrj, em entrevista concedida por e-mail.
Formado como Engenheiro de Alimentos (pela Unicamp, em 1974),
foi professor do Depto de Agronomia da UnB, e do Instituto de Nutrição da UFRJ.
Está na FF/UFRJ desde agosto de 1989 e foi, por duas vezes,
presidente da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos (1986-90).
Para Luiz Eduardo, o conflito sobre as vantagens e riscos dos transgênicos no país
retrata a crise da universidade brasileira.
1) Parece que todos já têm uma posição contra ou a favor transgênicos. O senhor é contra ou a favor?
Eu sou a favor, embora todos que me ouvem insistam que falo contra. Mas não vejo como poderia, um professor universitário, ser contra todo e qualquer transgênico. A modificação genética é uma invenção da inteligência humana. É de uma bactéria transgênica, por exemplo, que se extrai a insulina para os diabéticos. O problema é que cada caso é um caso. E o cidadão brasileiro parece não ter nada a ganhar com a soja transgênica. Por que seria a favor?
2) Mas será que o cidadão comum entende de genética, de transgenia, de genoma e pode ter uma opinião sobre assunto cientificamente tão complexo?
Sim, se em vez de definições com terminologia científica, oferecermos exemplos. A partir dos exemplos reais, qualquer pessoa pode perfeitamente entender do que estamos tratando e pode ter uma opinião. Não uma opinião científica; mas uma opinião de consumidor. E isso deve ser também respeitado.
3) Que exemplos seriam esses?
Se dermos apenas exemplos de organismos modificados para produzir remédios, como o da bactéria que produz insulina, claro que quase todos seremos a favor da transgenia. Mas é preciso, por outro lado, lembrar do hormônio transgênico, aplicado nas vacas para produzir mais leite, trazendo risco à saúde das crianças que tomam esse leite; ou do milho Bt, com genes de Bacillus thuringiensis, milho que então produz toxina bacteriana, mortal para insetos; ou dessa soja RR, da Monsanto, que por ser transgênica, e ao contrário do capim que se quer matar, sobrevive ao despejo de herbicidas sobre a lavoura. Ou o exemplo do salmão transgênico, que come exageradamente, e alcança, em um ano, o tamanho de um salmão de 60 meses, como se já não bastasse o monte de porcaria que se usa para fazê-lo ficar artificialmente vermelho, como se não bastasse os aditivos que injetam no presunto, nos frangos, no polvo e no camarão, para que incorporem água, e roubem o consumidor no peso.
4) Como o senhor vê essa disputa entre os favoráveis e os contrários aos transgênicos?
Existe uma guerra midiática, visando conquistar corações e mentes, pró e contra os organismos geneticamente modificados (OGMs). O uso e abuso da semiologia e da lingüística, a serviço das ambigüidades e das meias verdades, são algumas das armas do combate. Só que a arma principal, obviamente, é dinheiro. Estamos tratando mais de palavras que de genes e risco. Palavras tornam-se armas não apenas pelo viés da persuasão cultural e psicológica. Mas também pelo viés jurídico, nas manobras inseridas na regulação oficial. Os pró-OGM dizem que não se deve proibir, mas deixar a decisão para o mercado, para o consumidor. Porém, ao mesmo tempo, negam-se a rotular os produtos. Sem rótulo, como poderá o consumidor exercer seu poder de optar?
5) Podemos rotular os alimentos transgênicos?
Só podemos escrever, no rótulo de um frasco, o nome do conteúdo, se esse conteúdo tiver um nome e esse nome tiver uma definição muito precisa. E isso não existe para OGMs e, menos ainda, para alimentos transgênicos. OGM é uma coisa e comida, alimento transgênico, é outra. Em alguns casos, são sinônimos, mas isso é muito raro. Claro que no caso do salmão transgênico, trata-se de um organismo transgênico que é, ao mesmo tempo, alimento transgênico. O mesmo vale para soja ou milho em grão. Mas não vale para o óleo extraído do milho, ou para a lecitina extraída da soja, que nem são organismos, e sequer contém genes. Óleo, lecitina, enzimas, pigmentos, edulcorantes, vitaminas, hormônios, essas substâncias extraídas dos organismos transgênicos não podem ser rotuladas como OGMs, não são organismos, nem contêm genes convencionais ou modificados. São alimentos; não são organismos.
6) Então é praticamente impossível rotular?
Pelo contrário, rotular é possível e necessário. O problema é definir o que é alimento transgênico. Creio que, para o consumidor, o óleo feito de soja transgênica, e a margarina feita desse óleo, e a empadinha que contém essa margarina, tudo isso deva ser rotulado, informando a origem transgênica, estando ou não, ainda presentes, os genes da soja modificada. É também o caso de todo queijo hoje industrializado no Brasil, que usa quimosina transgênica como coalho, e não informa isso no rótulo. Entendo que rotular não vise alertar sobre risco à saúde, pois dependendo do risco nem deveria estar sendo vendido. Rotular visa orientar o consumidor, e este escolhe sua comida culturalmente, hedonisticamente, financeiramente, ideologicamente. Ninguém compõe seu cardápio diário a partir unicamente do que tem maior ou menor risco sanitário. Não é só de genética ou de nutrição e toxicologia que os transgênicos são feitos. Eles são feitos também de símbolos, de imaginários e atitudes. Comida é isso. E rotular é viável. O que não é viável é vender transgênico rotulado, porque vai ser rejeitado, e porque ficaria exageradamente caro segregar e rotular.
7) A decisão sobre a liberação ou não de transgênicos deve ser técnica ou política?
Todos renegam o termo, e se dizem apoiados na ciência, inclusive o Lula. Mas é óbvio que é uma questão ideológica, que está sendo administrada ideologicamente. Não é preciso saber genética para entender isso do que estamos aqui tratando. Claro que os geneticistas são entusiastas dessa tecnologia. Mas o processo decisório, as atividades reguladoras, as ações de biossegurança, a proteção da saúde do consumidor, e as estratégias comerciais do agronegócio brasileiro, obviamente, são variáveis de outro universos, distantes e distintos da biologia molecular. Assim como a transgenia não é feita por voluntaristas, mas pela inteligência e pelo trabalho, a regulação também exige saberes muito específicos. Os geneticistas brasileiros precisam é se ocupar da invenção transgênica, de fazer o Brasil ser mais competente que a Monsanto, esse é o trabalho deles, e temos que assegurar recursos e liberdade para isso. Mas muitos deles vivem na TV, instrumentalizados como lobistas, dando pitacos ridiculamente furados em nutrição, toxicologia, biossegurança, economia, legislação sanitária, rotulagem, meio ambiente etc.
8) O senhor esteve, semanas atrás, em uma audiência pública no Senado para debater o assunto. Como foi?
No Senado, foi exatamente assim. Um destacado biólogo molecular da USP, agora associado com a Votorantim Ventures para montar uma indústria biotecnológica, não falou nada de biologia molecular, usando todo seu tempo para explicar, não como empresário que agora é, mas como professor que um dia foi, que os transgênicos são a única saída para evitar a fome no mundo. O outro depoente, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), centrou sua fala nos fantásticos medicamentos que a transgenia vai gerar, acabando com as filas de criancinhas doentes e sem cura nas filas dos hospitais públicos. De quebra, argumentou que é claro que os agricultores sempre serão pró-OGM, porque podem ganhar milhões de dólares por hectare, caso plantem soja GM para produzir hormônio do crescimento. E o conferencista, que veio do Hospital do Câncer de São Paulo, optou por denunciar o que chamou de calúnias contra os OGMs, assegurando que a soja GM não vai ter mais resíduos de agrotóxicos que a soja convencional. Só esqueceu que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está, neste exato momento, por “coincidência”, alterando a legislação, de forma a permitir quantidade 50 vezes maior desse exato herbicida da Monsanto na soja. Assim fica muito difícil debater. Isso não é um debate técnico-científico, não é um diálogo entre cientistas, mas um tribunal, onde todos falam como advogados, defendendo seu cliente em vez de trocar informações, e onde todo argumento pode ser colocado na mesa, ainda que inconsistente, ainda que apenas atrapalhe a compreensão dos fatos.
9) Qual a função da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) nesta história?
A CTNBio é um cartório como tantos outros. Boa parte dos pesquisadores é a favor da CTNBio na expectativa de descolar um carguinho lá e, com isso, como um camelô do Largo da Carioca, ter um ponto comercial privilegiado, para ali fazer contato com o mercado, captando patrocínios e vendendo serviços. Uma agência que decide quais OGMs podem ser liberados ou não, pode e deve convidar professores e cientistas para atuar como consultores, mas não pode delegar o poder decisório a convidados informais. É imperativo que seja uma agência formal, institucionalizada, com pessoal concursado, estabilidade funcional e plano de carreira. E não de gente que vai a Brasília a cada dois meses, para trabalhar de graça, voando de manhã cedinho, para voltar no início da noite, correndo, aproveitando o horário do almoço para dar um pulinho na Capes e no CNPq, com a cabeça mais nestes assuntos, que nos assuntos da CTNBio. Ademais, a CTNBio diz que tem representantes da comunidade científica, mas quem os elege não são os ditos assim “representados”, mas o próprio ministro, sabe-se lá com quais critérios e interesses. Isso é um papo mais longo e tem a ver com o desmanche da maquina pública, com o desmanche do Estado. Quando apóia isso, a Universidade está só dando força para essa máquina que vai desmanchá-la também todinha. Professor pode entender de dar aula de genética, de orientar doutorandos e de publicar trabalho, mas CTNBio e regulação é um outro universo. É outro método para outro objeto. Não pode ser um mero objeto de desejo.
10) Qual a relação deste tema com a Universidade brasileira?
Bem, de certa forma, esse conflito sobre vantagens e riscos dos transgênicos, no Brasil, essa confusão, é também retrato da crise da universidade brasileira. Quem vai patrocinar pesquisas independentes sobre riscos nutricionais e toxicológicos dos transgênicos? A Embrapa, que fabrica OGMs, e mantém um contrato secreto, com a Monsanto, anuncia que o fará no laboratório que está montando em Guaratiba (o CTAA, que é o Centro de Tecnologia Agrícola). Esse centro foi criado para dar apoio à indústria. Não existem centros para dar apoio à proteção para a saúde, ao consumidor e, se a universidade vai sendo empurrada para gerar receita, para prestar serviço às indústrias, aí é que não vamos ter mesmo nenhuma pesquisa nesse campo da saúde. Cabe ressaltar que, muitas das vezes, ao prestar servicinhos laboratoriais, a universidade está apenas sendo cooptada, por alguns trocados, fazendo análises que as multinacionais nem precisam. E os funcionários do Estado acabam fazendo isso por uma ninharia. Basta ver a esfuziante alegria com que departamentos de pediatria, de nossas universidades, respondem a minguadas doações da Nestlé para pequenas obras civis, em prédios degradados pela omissão do governo. Mas dá para confiar na isenção desses pesquisadores? Será mesmo confiável a palavra e os pareceres dos cientistas que viajam para congressos na Europa com dinheiro da Monsanto, como se pode ler nos próprios boletins das empresas?
11) Fale do seu trabalho na UFRJ e sua relação com os transgênicos
Nosso trabalho é principalmente criar conteúdos e linguagens para informar a sociedade sobre consumo e saúde pública. Os atores envolvidos com a “polêmica transgênica” não querem informar, querem convencer, cooptar, e argumentam como advogados, defendendo uma causa, pró ou contra. Nesse jogo, omitem, mentem, confundem. A confusão está aí não por acaso. Ela se dá porque a figura de uma universidade pública e socialmente orientada está fragilizada.O LabConsS – Laboratório de Consumo e Saúde, da Faculdade de Farmácia da UFRJ, realiza um trabalho muito modesto, mais de treinamento e capacitação de recursos humanos do que propriamente de pesquisas científicas ou defesa do consumidor. Mesmo assim, mesmo modesto, é um trabalho de enorme destaque no cenário brasileiro, com repercussão internacional. Isso não é motivo de satisfação, mas de preocupação. Se alcançamos tal sucesso, sendo tão pequenos, é porque esse setor está realmente abandonado pelo Estado. Aproveito para convidar que visitem o site em www.ufrj.br/consumo. Bolsistas do PET/SESu respondem perguntas de consumidores, e produzem clippings diários de notícias, sobre transgênicos, medicamentos, vigilância sanitária, consumerismo, dietéticos etc. Interações e parcerias com outros setores da UFRJ seriam bem vindas.
sábado, 16 de junho de 2007
As causas erradas ou (esquecidas) de Míriam Leitão
As causas erradas ou (esquecidas) de Míriam Leitão
A propósito de seu artigo no Jornal O Globo de 15de Junho de 2007
Já vão bem longe os anos de graduação, na pública Universidade de Brasília, da jornalista Míriam Leitão, mais distante ainda os motivos que a levaram a prisão pelos militares, embora para muitos os motivos continuem os mesmos. Ou não foi a mesma jornalista que em outra matéria criticou a persistência no país do trabalho escravo, usando o eufemismo da servidão pela dívida ? De quem é a culpa do atraso, daquele que o provoca, ou de quem o sente ? Seriam, por acaso, os migrantes sem carteira que desfalecem nos canaviais, culpados por morrerem, revelando a perversidade das relações de trabalho ? São as jurássicas entidades partidárias denunciadas pela autora um acidente histórico, ou um produto da história real e atual do país ?
A economista, entretanto, em algumas teses se iguala àquelas praticadas pelos fantasmas que a assombram, como por exemplo – a negação da legitimidade do acesso dos filhos das famílias de classe média ao ensino superior público e gratuito. Tese que tem a sua origem no manual de reformas para o ensino superior na América Latina elaborado pelo Banco Mundial em 1995(1). Mas as semelhanças terminam por aí, pois enquanto a economista apóia um sistema que continua assegurando privilégios a uns em detrimento de outros, os utopistas perseguem a sociedade ideal, do seu ponto de vista é claro. O paradigma da Universidade Nova que o MEC quer implantar pela força da via financeira, entoa o mesmo refrão – a universidade pública deve ser para os filhos das famílias pobres. Por esse motivo elas devem dobrar o seu quantitativo de alunos e garantir 90% de formandos (leia-se de aprovação, pois para o receber o diploma o aluno necessariamente precisa ser aprovado)(2). Ora não é preciso ser nenhum vidente para entender que o REUNI significará a massificação da rede de Instituições Federais de Ensino Superior, levando à formação de bacharéis de segunda linha, pois, ao contrário do que afirma a missivista, a situação orçamentária das universidades públicas não é boa porque a situação orçamentária do ensino fundamental é ruim. Ambas são ruins !
Economistas são especialistas em índices, dentre outras qualidades, e os manipulam com uma velocidade e facilidade impressionante, por exemplo, ao afirmar, em seu artigo, que em São Paulo gastam-se absurdos R$ 38.000,00 por ano, por aluno universitário, fica a dúvida de como esta conta foi feita. Tomando-se o orçamento da USP para 2005(3) que foi de R$ 1.958.976.296,00 e dividindo-se pelo número de 84.158(4) alunos inscritos, obtém-se os absurdos R$ 23.277,36, um número significativamente abaixo da média indicada anteriormente – e estamos falando da mais rica das três universidades. Acrescente-se ainda o fato de que o aluno de gradução – pivot da atual crise, não é o único beneficiário do orçamento, divide-o com os alunos de pós e de outras categorias, com os docentes, funcionários e todas as demais atividades que as IFES desenvolvem. A conta portanto poderia servir para uma instituição que só se dedicasse ao ensino de graduação e a mais nenhuma outra atividade – como a maioria das faculdades particulares - para aonde a economista e os companheiros da base aliada parecem estar querendo mandar os filhos da classe média, por motivos diferentes, diga-se de passagem. Em continuação à dança com números, agora a nível federal, a farra do orçamento das federais, segundo a ex-estudante da UnB, atinge os absurdos R$ 12 bilhões anuais para apenas 55 universidades! Entretanto, se não tivesse parado a contagem no número de universidades, virando a página do número de alunos encontraria a cifra de 1.129.189 matriculados(5), obtendo R$ 9.573,94, um número bem mais próximo do que gasta o Estado de São Paulo com seus alunos no ensino fundamental (segundo a jornalista) e bem mais longe do que gasta com o aluno de curso superior. Talvez com alguns artigos a mais a jornalista logre o nivelamento para baixo das despesas per capita com os estudantes brasileiros. Precisamos inventar um prêmio para esse feito.
O que tem Miriam Leitão em comum com o pessoal da base aliada do atual governo ? Por quê ambos rezam pela mesma cartilha, no caso da educação ? Ao governo interessa oferecer aos segmentos mais empobrecidos a opção de ensino superior, mesmo que não seja de qualidade, dado que as verbas precisariam ser multiplicadas por muitos São Paulos para atingir o montante necessário a tal objetivo. Aos empresários do ensino superior interessam alunos que possam pagar, e que dada a origem social se adaptariam mais facilmente a um empreendimento privado do que os bolsistas do PROUNI. Ao Banco Mundial interessa o desmonte do que resta de produção de conhecimento autóctone, seja nas ciências exatas ou sociais, tendo em vista o projeto de globalização econômica, social e cultural ao qual serve. Ficam portanto contentes os trabalhistas locais acreditando que estão acumulando ganhos, ao promoverem a inclusão das massas no ensino superior, os empresários pelos futuros e promissores negócios com a clientela ampliada e o Banco Mundial pela implantação de mais uma receita em prol da ordem mundial capitalista.
(1) La Enseñanza Superior — Las lecciones derivadas de la experiencia (primeira edicao em ingles 1994, primeira em espanhol 1995) Introcucción por Armeane M. Choski, Vicepresidente, Perfeccionamiento de Recursos Humanos y Políticas de Operaciones, Banco Mundial " La aplicacion de estas reformas no sera tarea facil en ningun pais. Las caracteristicas predominantes de la ensenanza publica de nivel terciario en el mundo en desarrollo benefician principalmente a las unidades familiares mas prosperas que son tambien las que detentan mayor poder politico. Los hijos de las familias acomodadas estan considerablemente subvencionados por el resto de la sociedad para asistir universidades publicas, lo que refuerza sus ventajas economicas y sociales. La experiencia demuestra que es fundamental romper este esquema, y tambien que no debe subestimar la dificultad politica de hacerlo. En los paises cuyos sistemas de gobierno son debiles, los estudiantes resentidos - y los habra si se reducem los subsidios y los privilegios - pueden representar uma amenaza a la estabilidad politica. En consequencia, los gobiernos deben proceder com mucha cautela al implantar reformas que tal vez afecten a las familias mas poderosas que puedem desestabilizar los regimenes politicos."
(2) Os parágrafos 1o e 2o do Artigo 1o do decreto 6.096 que implantam o REUNI estipulam:
§ 1o O Programa tem como meta global a elevação gradual da taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais para noventa por cento e da relação de alunos de graduação em cursos presenciais por professor para dezoito, ao final de cinco anos, a contar do início de cada plano.§ 2o O Ministério da Educação estabelecerá os parâmetros de cálculo dos indicadores que compõem a meta referida no § 1o.
(3) Fonte de dados orçamentários – Anuário Estatístico da USP (base 2005) Tabela 7.02, http://sistemas.usp.br/anuario/info_orcamento.htm
(4)Fonte de número de alunos – Anuários Estatístico da USP (base 2005) Tabela 2.18 , http://sistemas.usp.br/anuario/info_demo.htm
(5) Alunos inscritos em IFES em 2005 http://sinaes.inep.gov.br/sinaes/
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Estudantes forçam CONSUNI a discutir o REUNI !
Estudantes forçam CONSUNI a discutir o REUNI !
A reunião ordinária do Conselho Universitário da UFRJ (CONSUNI) DO DIA 14-06-2007 seguia normalmente, quando ainda na fase de expediente cerca de duzentos estudantes envolveram o plenário, entoando palavras de ordem em defesa da autonomia da universidade e contra a sua privatização. Em particular ao REUNI – solução definitiva para a evasão estudantil apresentada pelo MEC - se contrapunham pedidos por melhor assistência estudantil. A entrada dos estudantes se deu após algumas intervenções de conselheiros e de representantes de professores(ADUFRJ), e alunos(C.A.´s e APG) que em graus variados contestaram a implantação do REUNI na UFRJ. Em particular a conselheira representante dos estudantes – Renata(APG), encaminhou o pedido de que o tema REUNI fosse incluído na pauta da reunião. Diante da maciça manifestação dos estudantes, embora pacífica, o Pró Reitor de desenvolvimento, prof. Levi, que presidia a reunião (tanto o Reitor, como a Vice-Reitora estavam ausentes) manifestou a impossibilidade de se continuar a reunião, sugerindo transformá-la num amplo debate entre os conselheiros e os estudantes sobre o REUNI. O conselheiro representante dos funcionários, Agnaldo, apelou que o carater formal da reunião fosse preservado e se votasse a inclusão do assunto na pauta da reunião. Foi feita a verificação de quorum (29 conselheiros presentes) e a deliberação por consenso foi favorável à inclusão do tema como item prioritário da pauta, passando-se então a palavra aos inscritos.
O conselheiro prof. Vainer, membro da Comissão do CONSUNI-Reitoria para assuntos do PDE, embora se declarando crítico do PDE e do REUNI, é favorável à sua adesão pela UFRJ na medida que isso traga recursos para projetos que já estavam em gestação ou em desenvolvimento na UFRJ, devendo-se evitar o envio de projetos precoces, muitas vezes concebidos para obter recursos. O representante do C.A. da Economia destacou que as causas da evasão não eram contempladas no REUNI – bandejão, cursos noturnos, etc... e que os bacharelados com currículos desregulamentados não ajudariam seus portadores a atuar na sociedade nem como cidadãos, nem como profissionais. Os representantes da APG e da UEE destacaram a presente insuficiência orçamentária da universidade e a falta de docentes, o que por si só inviabilizaria qualquer expansão. A conselheira Renata (APG) em uma segunda intervenção criticou a Comissão do PDE por ter mais se dedicado à aprovação de propostas do que ao fomento de debates. Destacou o declínio no número de funcionários, a falta de docentes, o desemprego para os profissionais de nível superior como razões para que a Comissão do PDE crie um projeto adequado à UFRJ e não se limite às balizas do MEC. O conselheiro prof. Alcino, decano do CCJE, alertou para o alibi conservador do movimento contra o PDE, para ele, os estudantes poderiam estar sendo utilizados por aqueles que nada querem mudar na universidade, mantendo os feudos que só atendem à elite, citando a Faculdade de Economia e a de Medicina como exemplos. Defendeu ainda os Bacharelados Interdisciplinares como solução alternativa ao profissional formado para satisfazer ao capital. O conselheiro prof. Rui Cerqueira, Biologia, teme que alguns projetos do REUNI constituem uma ameaça real à universidade. O conselheiro prof. Marcelo,decano do CFCH, defendeu a participação no REUNI com dignidade e inteligência, para que não se acabe combatendo o desejável e o indesejável. Considera que só devam ser encaminhados os projetos com experiência acumulada. O conselheiro Valter, decano do CT, não vê contradicão em participar do REUNI e preservar a autonomia, destacou que há vários projetos já em andamento que podem se beneficiar de suas verbas – projetos de interiorização como os de Macaé e Cabo Frio. O prof. José Roberto, pró-Reitor de ensino de graduação, alertou para o problema da evasão e da pouca dedicação de parcela dos docentes ao ensino de graduação. Para ele a UFRJ não tem o direito de ignorar a evasão. O conselheiro prof. Almir Fraga, Decano do CCS, corroborou as críticas ao REUNI, advogando maior tempo para discussão e criticando a sua operacionalização na UFRJ. Para ele o processo deve voltar às unidades. A conselheira profa. Flora, do CLA, também advogou a volta do processo de discussão às unidades. No seu Centro apenas uma unidade apresentou projeto.
Devido ao avançado da hora e ao insuficiente quantitativo de conselheiros presentes, o prof. Levi, decidiu encerrar a reunião, comprometendo-se a solicitar ao Reitor que inclua o tema REUNI na próxima reunião do CONSUNI. Foi lembrado também que durante a próxima semana serão feitas as apresentações públicas dos projetos submetidos ao REUNI, esperando-se portanto ampla participação de docentes, discentes e técnicos administrativos nos debates que se seguirão. Essas apresentações ocorrerão, a princípio, na sala de reuniões dos Colegiados Superiores no período da tarde.
Os eventos desta Quinta-feira no CONSUNI expuseram de forma dramática a insatisfação que vai tomando conta da universidade diante de tantos problemas não resolvidos e das más metodologias adotadas para supostamente procurar suas soluções. Num quadro de crise salarial e carência de quadros tanto para os docentes, como para os técnicos administrativos (em greve desde de 30 de Maio), com o congelamento dos salários (PAC) e das vagas docentes (Banco de Professores Equivalentes), impõe-se por decreto um projeto de reestruturação das IFES, que pelas suas ambiguidades consegue ser acusado simultaneamente de neoliberal e proletarizante! Como se o objeto da discussão não fosse por si só suficientemente polêmico, a Comissão criada pelo CONSUNI-Reitor tomou caminhos que levaram ao presente impasse, ao impor uma operacionalização que provocou ressentimentos dentro da própria comissão, como se ficou sabendo hoje a partir das declarações do prof. Vainer(IPURR). Há os que dentro da comissão opõem-se ao REUNI mas querem extrair dele as verbas para projetos já em andamento, que sejam consistentes, com planos pedagógicos consolidados, e há os que são adeptos convictos do plano, e vêem nele a via para a implantação de Bacharelados Interdisciplinares e Ciclos Básicos por Centro de modo a poder acolher preferencialmente os segmentos mais marginalizados da sociedade. Ao invés de socializar o debate e a disputa em termos claros, procedeu-se de forma expressa, buscando aprovar todos os projetos, enraizados ou novos, nas unidades e centros, deixando para os colegiados superiores a tarefa de selecioná-los. Os fatos ocorridos hoje no CONSUNI mudaram o cenário de forma definitiva, acredito eu, tornando imprevisível o desfecho dessa disputa. Pelo simples fato de que a entrada da oposição estudantil e docente no jogo político, com posições de rejeição total ao plano, não fortalece nenhuma das tendências anteriores.
Desde o dia 24 de Abril, data da promulgação do decreto de criação do REUNI, e mesmo antes, na esteira da malfadada Aula Magna da Universidade Nova, a oposição docente organizada e espontânea vem dando sinais de inconformismo. Matérias em jornais, petições encaminhadas, intervenções nos Colegiados Superiores, nada até então demoveu a Comissão do PDE de sua marcha inexorável rumo à imposição de projetos. Resta saber se haverá sensibilidade dos dirigentes máximos da Universidade e dos demais atores em se aterem mais às razões de estado, do que às suas razões de militância partidária. Aguarda-se que nessa orquestra desafinada em que se tornou a UFRJ, o maestro deva enfim se fazer presente.
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